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PROGRAMA DE MANEJO EX SITU DE ESPÉCIES AMEAÇADAS

A biodiversidade enfrenta, atualmente, a sexta maior extinção. No que se refere à fauna, fatores como a fragmentação e destruição dos habitats, poluição, tráfico ilegal, atropelamentos e outros conflitos com o modo de vida da sociedade humana, causam grandes impactos na população das espécies, colocando muitas na lista de animais ameaçados de extinção.

O Brasil abriga mais de 20% do número total de espécies do mundo, ou seja, a maior biodiversidade do planeta. Porém, também são muitos os impactos que nosso país vem provocando ao ambiente, afetando diversos ecossistemas. Na última atualização da Lista Vermelha, feita pelo Ministério do Meio Ambiente em 2014, foram reconhecidas 1.173 espécies ameaçados no Brasil, entre os quais estão 110 mamíferos, 234 aves, 80 repteis, 41 anfíbios, 353 peixes ósseos e 55 peixes cartilaginosos. Inclusive, 2 hotspots mundiais (regiões com enorme biodiversidade e endemismo – mais de 1.500 espécies de plantas vasculares, mas com elevado grau de ameaça – restando 30% ou menos da sua área original) estão no Brasil, a Floresta Atlântica e o Cerrado.

Por isso, a conservação da biodiversidade é um dos principais pilares dos Zoológicos e Aquários modernos. Há anos, a AZAB vem incentivando seus membros a participarem de programas de manejo cooperativo, EEP (Programas Europeus para Espécies Ameaçadas), Studbooks e várias outras ações que contribuam efetivamente com a conservação, integrando as instituições junto aos esforços mundiais para proteção das espécies em risco de extinção.

Em abril de 2018 demos um passo ainda mais importante, assinando junto ao ICMBio (Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade) e MMA (Ministério do Meio Ambiente) um Acordo de Cooperação Técnica para cooperar na elaboração, implementação, manutenção e coordenação dos programas de manejo ex situ de espécies ameaçadas em zoológicos e aquários brasileiros, durante 5 anos.

Acordo de Cooperação Técnica n° 3202386, assinado entre a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), processo n° 02070.003869/2018-45, publicado no Diário Oficial da União em 05/06/2018 - Edição: 106 - Seção:3 - Página:108, para o estabelecimento e o manejo ex situ de Populações de Segurança de 25 (vinte e cinco) espécies ameaçadas da fauna brasileira.

Lista das 25 espécies

25 espécies, entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes foram escolhidas como prioritárias para execução destes programas. O trabalho de conservação destas espécies será imprescindível para proteger também seus habitats e espécies relacionadas, pois muitas delas provocam o efeito "guarda-chuva", ou seja, a sua conservação, por consequência promove a conservação de vários outros animais que participam do seu ecossistema, sendo este um enorme passo para a conservação da fauna brasileira.

As espécies-alvo foram definidas com base nas recomendações dos Centros de Pesquisa e Conservação do ICMBio e levaram em conta: o tamanho da população sob cuidados humanos já existente; o risco de extinção das espécies; e a urgência em estabelecer uma população de reserva. Ainda, a elaboração da lista buscou ser a mais abrangente possível em relação aos diferentes grupos, contemplando mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes continentais e marinhos. Há, também, os casos prioritários para conservação representado pelas espécies endêmicas e de ocorrência territorial muito restrita. Nestas situações, estabelecer um programa de conservação ex situ será imprescindível para compor uma população de reserva que possa, futuramente, contribuir para a reintrodução em áreas adequadas.

 

O QUE É CONSERVAÇÃO EX SITU?

A conservação ex situ, considerada complementar à conservação in situ, assegura a sobrevivência de espécies ameaçadas de extinção, por meio do estabelecimento de populações de segurança (backup) nos zoológicos, aquários e criadouros conservacionistas/científicos. Neste âmbito, os programas de manejo são ferramentas para garantir a representação da espécie quanto à variabilidade genética e demográfica, permitindo, quando necessário, a reintrodução de indivíduos, o revigoramento e crescimento populacional.

O objetivo do manejo de espécies ex situ visando a conservação é a manutenção de populações viáveis que possam atuar como populações de segurança. Segundo Mark Shaffer (1981 e 1990), população mínima viável é o menor tamanho de uma população com alta probabilidade (90% ou mais) de persistir nos próximos 100 anos.

Sendo assim, através de grupos de trabalho com integrantes da AZAB, ICMBio e representantes dos Zoológicos e Aquários do Brasil, executaremos ações conjuntas em prol da conservação de 25 espécies da fauna brasileira, como parte da estratégia nacional para conservação de espécies ameaçadas de extinção.

Este é um grande desafio assumido pela AZAB, mas temos certeza que com a expertise dos profissionais e colaboração das instituições, poderemos minimizar os impactos sobre estas 25 espécie e diminuir a ameaça de extinção!